quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Depoimento de ex-integrante do Grupo Lésbico-feminista sobre a primeira passeta homossexual do Brasil


Rose Mancini, 57 anos (foto ao lado), nasceu em São Paulo, mas vive na Europa, para onde se mudou em 1986. Mora hoje em Milão, na Itália, tendo participado, quando estava no Brasil, do já mitológico Grupo Lésbico-Feminista (LF), o primeiro grupo de lésbicas organizadas do Brasil, que surgiu em maio de 1979 e durou até meados de 1981.

Em entrevista para o site Um Outro Olhar On-line, ela fala de sua experiência como ativista do LF e de grupos lésbicos italianos e de sua posição sobre o ativismo lésbico em geral.

Descreve também sua participação na primeira passeta homossexual brasileira, ocorrida em São Paulo, no dia 13 de junho de 1980

Para ler a entrevista e o relato de Rose, acesse  http://www.umoutroolhar.com.br/entrevistas_rosemancini.htm

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Conheça um pouco sobre a vida de Janaína Dutra"


Depoimento de Daletty di Polly sobre Janaína Dutra, uma das mais destacadas lideranças Trans do Brasil, postado na comunidade do orkut, aberta em sua homenagem. Está sendo transcrito aqui com a devida autorização de sua autora, Daletty.
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=16895659

"Janaína nasceu na cidade de Canidé, interior do Ceará, no dia 30 de Novembro de 1960, foi registrada com o nome de Jaime César Dutra Sampaio, tornou-se Dr. Jaime ao se formar em Direito, na UNIFOR, em 1986.

A tendência a travestilhidade, porém, foi mais forte do que as convenções sociais. Dr. Jaime decidiu suavizar as formas e passou a utilizar hormônios femininos, se assumindo travesti, passando a viver como Janaína Dutra. Foi a primeira, talvez a única vez em toda história do Brasil, que uma travesti conseguiu sua carteira de filiação junto à OAB.

Na medida que foi se transformando, se assumindo como travesti, Janaína foi se especializando em casos na área de Direitos humanos, voltado para a causa homossexual. Em 1989, começou a atuar no movimento de cidadania homossexual, tornou-se militante dos Direitos Humanos dos homossexuais, filiando-se ao Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), onde galgou diversos postos até chegar à vice-presidência.

Fundou a ATRAC – Associação de Travestis do Ceará, exerceu o cargo de Secretária de Direitos Humanos (suplente) da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros. Foi também presidente da ANTRA – Articulação Nacional de Transgêneros, e membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação.

Janaína era doce como mel e forte como uma rocha, como um bom velho comunista era feita de ferro e de flor. Dura nas suas convicções, no seu ativismo e em sua trajetória política, leve como as flores com sua diversidade de cores e cheiros, seus poemas cultuados e sua maneira doce de ser e viver. Janaína era uma dama – “Dama de espadas” – com muita elegância, ética, dignidade e transparência. Janaína sempre lutou por justiça social, pelos Direitos Humanos, a liberdade e a felicidade, e sempre procurou passar adiante seus ensinamentos, incentivando muitas trans a nunca baixarem a cabeça, e, a lutarem contra o mito das aparências, dos rótulos, das más impressões.

Sinto-me privilegiada por ter sido “uma de suas pupilas”, por ter tido oportunidade de ter estado ao seu lado não só nos momentos de alegria, mas nos momentos de dor. A dor de sua partida. Janaína deixou muitas saudades em nossos corações, mas também deixou um legado de boas obras. O exemplo de luta de Janaína estará permanente em nossa memória. Janaína será sempre lembrada com muito orgulho como “a primeira travesti advogada do Brasil”. JANAÍNA DUTRA imortalizada em nossos corações; Nosso amor por você definitivamente não termina aqui... "

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ontem, dia 23 de setembro, conversei com a jornalista Flávia Peret que faz pesquisa sobre a imprensa LGBT no Brasil. Flávia me falou de sua dificuldade em encontrar fontes sobretudo sobre as publicações lésbicas brasileiras e de ter acesso ao que já foi publicado. Procurou-me pelas edições que fiz dos boletins ChanacomChana e da revista Um Outro Olhar (décadas de oitenta e noventa + dois anos de 2000), mas também pode conhecer exemplares de outras publicações do gênero.

Conversando sobre os porquês da descontinuidade das publicações LGBT no Brasil, elencamos que, além dos problemas comerciais, ligados à questão dos anúncios-distribuição, o outro fator desestruturante era o baixo número de assinaturas dos públicos-alvo, no caso das lésbicas ainda pela questão do enrustimento. Lésbicas têm vergonha de comprar revistas explicitamente lésbicas nas bancas de jornal e de levá-las para a casa quando ainda moram com a família. Somando-se o custo da produção, publicação e divulgação de uma revista, com a pouca adesão das lésbicas às compras diretas em banca ou por assinaturas, explica-se não só a descontinuidade das revistas impressas como a adesão às revistas virtuais. De custo infinitamente menor e garantindo o anonimato das leitoras, os sites LGBT e lésbicos em especial têm substituído o couchê. De qualquer forma, com certeza alguém tentará novamente a via impressa, quem sabe com mais sorte desta feita.

Ficou da conversa a constatação de quão pouco as lésbicas ou mesmo ativistas lésbicas atuais se preocupam com a história de sua própria história (das quais as publicações específicas são parte inerente), mais preocupadas talvez com o dia-a-dia das baladas ou com as politicagens dos movimentos sociais.

Para aquelas, contudo, interessadas em conhecer e resgatar essa história, o acervo da Um Outro Olhar se encontra à disposição para consulta. Nele se encontram exemplares das duas principais publicações lésbicas editadas no país bem como de outras não menos importantes historicamente. Consultas podem ser marcadas pelo e-mail uoo@umoutroolhar.com.br ou pelo telefone (11) 3493.9680, das 14:00 às 19:00.