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EM DEFESA DOS MUSEÓLOGOS

Breves considerações sobre a [des]importância da Museologia no IPHAN
Por
Saulo Moreno Rocha*

Coloco aqui algumas breves notas, escritas rapidamente em resposta à ausência de vagas para museólogos/as no concurso que brevemente será realizado para o nosso principal órgão de defesa, proteção e preservação do patrimônio nacional, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). 
Cabe destacar, de partida, que eu poderia fazer aqui uma longa digressão sobre o surgimento do conceito de patrimônio no Ocidente e suas profundas e viscerais ligações desde então com os museus e a Museologia, mas, creio, não é oportuno, nem interessante, afinal, seriam necessárias muitas laudas para construir uma boa narrativa sobre isso. Uma pesquisa básica em obras de autores de referência sobre a temática poderá suprir adequadamente quem desejar aprofundar nesse quesito. Vou me prender mais especificamente ao caso brasileiro e, claro, a questão em apreço: o apagamento da Museolo…

Lançamento dossiê Diversidades revista Acervo do Arquivo Nacional

Hoje tive o prazer de participar do lançamento do dossiê Diversidades e(m) arquivos, da revista Acervo, do Arquivo Nacional.

Muito importante uma instituição como o Arquivo Nacional, com  a legitimidade e a posição que  ocupa no cenário nacional, tematizar a questão das diversidades nos arquivos em nosso país.

Sinto-me honrada com o convite para participar do dossiê, reconhecimento do meu trabalho, daqui deste blog, denunciando a política de destruição de fontes arquivísticas, notadamente fontes processuais.

A mesa de lançamento foi composta pelos doutores Diego Barbosa da Silva e Leonardo Augusto Silva Fontes, ambos do Arquivo Nacional, organizadores do dossiê; Thiago Mourelle (AN), editor-científico da revista; Raquel Fabio, supervisora de editoração e programação visual do AN, como mediadora. E como autores de artigos na revista, os doutores Anderson  José Machado de Oliveira, da UNIRIO, autor do artigo  "As habilitações sacerdotais e os padres de cor na América portuguesa, po…

Maravilhosos são vocês que estão mudando o mundo

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"A CEDS presta homenagem a Edith Colaço, uma inspiração na luta por um #RioSemPreconceito: "Maravilhosos são vocês que estão mudando o mundo" 17:22 - 26 de set de 2016"

https://twitter.com/hashtag/riosempreconceito CEDS Rio @CEDSRIO


https://twitter.com/CEDSRIO/status/780502859033051138/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Ftwitter.com%2Fhashtag%2Friosempreconceito

Dada a fragilidade na permanência dos registros no mundo virtual, decidi trazer para cá o que encontrei dessa participação histórica, independentemente do meu vínculo pessoal com a protagonista, na medida em que a sua participação foi espontânea, em todas as vezes que compareceu.

A atual gestão à frente da CEDS-Rio resolveu eliminar a página da Coordenadoria (http://cedsrio.com.br/site/noticias/2012-12/edith-colaco-mae-coragem-e-orgulho-aos-90-anos), apagando, assim, dados históricos que tem o dever constitucional de preservar. 
A única matéria sobre a Parada de 2012, no Rio de Janeiro, que …

A destruição de documentos como objetivo estratégico e indicador de desempenho: o caso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

Em várias postagens nesse blog é possível acessar minhas preocupações com a gestão de acervos e fontes (documentais e orais) em nosso país, notadamente quando digam relação às homossexualidades, aos LGBTIQ.
No dia dois de maio corrente (2018) foi publicado o número da revista Acervo, do Arquivo Nacional, cujo dossiê trata de diversidade. Nele contém um artigo de minha autoria onde retomo minhas reflexões sobre a temática.
Tem por título A destruição de documentos como objetivo estratégico e indicador de desempenho: o caso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.E pode ser acessado aqui e aqui.


(http://www.revistaacervo.an.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/893)
(http://www.revistaacervo.an.gov.br/index.php/revistaacervo/article/download/893/908)

Morre Cláudia Celeste, atriz transformista precursora

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Faleceu ontem, de pneumonia, a atriz e cantora Cláudia Celeste, de 66 anos de idade.  Cláudia não era "apenas" uma artista estupenda e completa, capaz de sempre aprender novas tecnologias; era também um ser humano fantástico, generoso, dotado de incrível delicadeza e lealdade.  A conheci em um dos eventos por ocasião do Dia da Visibilidade Trans, promovido pela Coordenadoria Especial da Diversidade, da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, gestão Carlos Tufvesson. Ela me procurou porque desejava publicar um livro que resgatasse a trajetória das artistas transformistas. Na ocasião, disse-lhe, era-me impossível, pois encontrava-me em fase final do curso de doutorado, elaborando a escrita da tese. Tempos depois nos reencontramos e retomamos o projeto. Ela possuía profundo senso da necessidade de se preservar essas memórias. Conversamos diversas vezes, por telefone e pessoalmente. Ela me passou o material que já havia elaborado, chegamos a construir uma agenda de trabalho, ma…

Não é com palimpsestos que vamos erigir marcos de nossa história

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Lutei muito para que o Coordenador da CEDS-Rio ousasse propor a algum vereador aliado que apresentasse projetos nomeando logradouro com o nome de qualquer dos vários ícones da Cultura Carioca que são também LGTs -Lota Macedo Soares, Clóvis Bornay, Joãozinho Trinta... Digo isso para deixar claro que concordo que Luana Muniz mereça ser homenageada.
Apenas não acho correto substituirem o nome do logradouro público de PRAÇA JOÃO PESSOA para Praça Luana Muniz (entroncamento entre Av. Gomes Freire e a av. Mem de Sá, na Lapa, Rio de Janeiro).

Não é com palimpsestos que devemos erigir os marcos de nossa história.

Ps.: Na publicação original afirmei ERRONEAMENTE que João Pessoa foi assassinado no ponto do bonde da rua Riachuelo, esquina com a Rua dos Inválidos. - Quem ali foi alvejado por um tiro fatal ao desembarcar do bonde foi  o Deputado Federal João Suassuna. O pai de Ariano foi morto por Miguel Laves de Souza.



Renúncia ao Conselho da Comissão de Anistia

Minha carta de Renúncia na Comissão de Anistia

Exmo. Sr. Dr. Alexandre de Moraes,
Ministro de Estado de Justiça e Cidadania.

Cumprimentando-lhe, venho comunicar a minha renúncia da condição de integrante do Conselho da Comissão de Anistia, atividade que ocupo honorificamente desde 25 de maio de 2007, quando fui convidado e nomeado pelo Ministro Tarso Genro.

Saio em face a consumação do golpe parlamentar, com a conclusão do impeachment que afastou a presidenta (eleita por mais de 54 milhões de votos) sem crime de responsabilidade.

Nestes longos anos de Comissão de Anistia, tive a oportunidade de conhecer milhares de perseguidos políticos, suas histórias, a dor do arbítrio e as violências praticadas.

Sei da sua importância, quanto a reparação daquelas que foram perseguidos politicamente, e do muito que precisa ser feito em razão da memória, verdade e justiça em nosso país.

Aos Anistiandos e Anistiados, ressalto que não estou abandonando o "front de lutas", darei continuidade a…