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Popularizando o conhecimento do passado LGBT: Nove anos de exercício

É grande a alegria de constatar o alcance das publicações daqui do blog, através desses números na tabela abaixo. Sei que não não surpreendentes para o meio virtual; há quem consiga facilmente números muito mais incríveis. Mas para as condições pessoais de sua produção, vejo como uma retribuição altamente positiva ao trabalho, ousado (e em certo sentido temerário) que iniciei em 2009, movida pelo compromisso com o registro e a popularização das memórias e histórias da população LGBT. 
A proposta era de uma produção de conteúdo coletiva, contando principalmente com os depoimentos escritos de ativistas (a ideia surgiu e foi divulgada em 2009, no contexto das listas de discussão do yahoo, no caso, principalmente a lista gls). Algo como o Museu da Pessoa, só que no modo escrito e apoiado com imagens dos acervos pessoais de cada ativista-autor-informante. Ela não foi avante e prossegui em modo solo.
Utilizar uma plataforma desqualificada em termos universitários (o blog), e cujo manejo té…

O Caso Chrysóstomo, uma abordagem histórica interdisciplinar

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O que ficou conhecido como Caso Chrysóstomo diz respeito ao processo criminal a que foi submetido o jornalista, co-editor do jornal Lampião da Esquina, produtor teatral, crítico de artes e homossexual assumido Roosevelt Antonio Chrysóstomo de Oliveira, em 1981. Trata-se da acusação de molestar sexualmente a criança de aproximadamente três ou quartro anos de idade, cuja guarda judicial possuía há um ano e sete meses, como procedimento prévio à adoção.


Ele tornou-se emblemático por trazer, em contexto marcado pela crítica aos autoritarismos e segregações, pela ascensão à cena política de atores tradicionalmente relegados ao silenciamento, como mulheres, negros, povos autóctones, prostitutas e homossexuais, os modos de tratamento pelo campo judicial de temas envolvidos por preconceito e desqualificação.


É um caso judicial que despertou e ainda desperta reações apaixonadas, envolvendo censuras e desconfianças, passados mais de trinta anos. 
Me dediquei a examiná-lo em meu doutorament…

EM DEFESA DOS MUSEÓLOGOS

Breves considerações sobre a [des]importância da Museologia no IPHAN
Por
Saulo Moreno Rocha*

Coloco aqui algumas breves notas, escritas rapidamente em resposta à ausência de vagas para museólogos/as no concurso que brevemente será realizado para o nosso principal órgão de defesa, proteção e preservação do patrimônio nacional, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). 
Cabe destacar, de partida, que eu poderia fazer aqui uma longa digressão sobre o surgimento do conceito de patrimônio no Ocidente e suas profundas e viscerais ligações desde então com os museus e a Museologia, mas, creio, não é oportuno, nem interessante, afinal, seriam necessárias muitas laudas para construir uma boa narrativa sobre isso. Uma pesquisa básica em obras de autores de referência sobre a temática poderá suprir adequadamente quem desejar aprofundar nesse quesito. Vou me prender mais especificamente ao caso brasileiro e, claro, a questão em apreço: o apagamento da Museolo…

Lançamento dossiê Diversidades revista Acervo do Arquivo Nacional

Hoje tive o prazer de participar do lançamento do dossiê Diversidades e(m) arquivos, da revista Acervo, do Arquivo Nacional.

Muito importante uma instituição como o Arquivo Nacional, com  a legitimidade e a posição que  ocupa no cenário nacional, tematizar a questão das diversidades nos arquivos em nosso país.

Sinto-me honrada com o convite para participar do dossiê, reconhecimento do meu trabalho, daqui deste blog, denunciando a política de destruição de fontes arquivísticas, notadamente fontes processuais.

A mesa de lançamento foi composta pelos doutores Diego Barbosa da Silva e Leonardo Augusto Silva Fontes, ambos do Arquivo Nacional, organizadores do dossiê; Thiago Mourelle (AN), editor-científico da revista; Raquel Fabio, supervisora de editoração e programação visual do AN, como mediadora. E como autores de artigos na revista, os doutores Anderson  José Machado de Oliveira, da UNIRIO, autor do artigo  "As habilitações sacerdotais e os padres de cor na América portuguesa, po…

Maravilhosos são vocês que estão mudando o mundo

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"A CEDS presta homenagem a Edith Colaço, uma inspiração na luta por um #RioSemPreconceito: "Maravilhosos são vocês que estão mudando o mundo" 17:22 - 26 de set de 2016"

https://twitter.com/hashtag/riosempreconceito CEDS Rio @CEDSRIO


https://twitter.com/CEDSRIO/status/780502859033051138/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Ftwitter.com%2Fhashtag%2Friosempreconceito

Dada a fragilidade na permanência dos registros no mundo virtual, decidi trazer para cá o que encontrei dessa participação histórica, independentemente do meu vínculo pessoal com a protagonista, na medida em que a sua participação foi espontânea, em todas as vezes que compareceu.

A atual gestão à frente da CEDS-Rio resolveu eliminar a página da Coordenadoria (http://cedsrio.com.br/site/noticias/2012-12/edith-colaco-mae-coragem-e-orgulho-aos-90-anos), apagando, assim, dados históricos que tem o dever constitucional de preservar. 
A única matéria sobre a Parada de 2012, no Rio de Janeiro, que …

A destruição de documentos como objetivo estratégico e indicador de desempenho: o caso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

Em várias postagens nesse blog é possível acessar minhas preocupações com a gestão de acervos e fontes (documentais e orais) em nosso país, notadamente quando digam relação às homossexualidades, aos LGBTIQ.
No dia dois de maio corrente (2018) foi publicado o número da revista Acervo, do Arquivo Nacional, cujo dossiê trata de diversidade. Nele contém um artigo de minha autoria onde retomo minhas reflexões sobre a temática.
Tem por título A destruição de documentos como objetivo estratégico e indicador de desempenho: o caso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.E pode ser acessado aqui e aqui.


(http://www.revistaacervo.an.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/893)
(http://www.revistaacervo.an.gov.br/index.php/revistaacervo/article/download/893/908)

Morre Cláudia Celeste, atriz transformista precursora

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Faleceu ontem, de pneumonia, a atriz e cantora Cláudia Celeste, de 66 anos de idade.  Cláudia não era "apenas" uma artista estupenda e completa, capaz de sempre aprender novas tecnologias; era também um ser humano fantástico, generoso, dotado de incrível delicadeza e lealdade.  A conheci em um dos eventos por ocasião do Dia da Visibilidade Trans, promovido pela Coordenadoria Especial da Diversidade, da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, gestão Carlos Tufvesson. Ela me procurou porque desejava publicar um livro que resgatasse a trajetória das artistas transformistas. Na ocasião, disse-lhe, era-me impossível, pois encontrava-me em fase final do curso de doutorado, elaborando a escrita da tese. Tempos depois nos reencontramos e retomamos o projeto. Ela possuía profundo senso da necessidade de se preservar essas memórias. Conversamos diversas vezes, por telefone e pessoalmente. Ela me passou o material que já havia elaborado, chegamos a construir uma agenda de trabalho, ma…