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Invisibilização & Presença de homossexuais, travestis e transexuais na história e na cultura

No dia 17 de julho passado participei do Seminário Museu Queer - A presença LGBT nos Museus, promovido pelo Museu da Diversidade de São Paulo em parceria com o Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP), na mesa sobre o apagamento da presença dos LGBTs nas cidades, na memória, na história de nosso país.
Aconteceu no auditório da Pinacoteca, às 14h e foi composta, além de mim, por Remon Matheus Bortolozzi e Luiz Morando. O primeiro abordando os espaços ou roteiros da presença e cultura LGBT na cidade de São Paulo e o segundo apresentando um caso de não-reconhecimento da identidade de gênero de um homem transexual que viveu em Belo Horizonte entre 1952 e 1981, a partir de notícias de jornais mineiros.
O título de minha apresentação foi o mesmo que atribui a esta postagem: Invisibilização & Presença de homossexuais, travestis e transexuais na história e na cultura. Nela trato da memória das pessoas e cultura LGBT no contexto geral das demandas pelo direito à memória - as lutas por “memór…

O Núcleo de Memória LGBT

Escrevi o texto abaixo em 16/11/2014. Deixei como rascunho aguardando a concretização do projeto, que não ocorreu. Hoje publico como registro histórico. Ressalto que não sei afinal qual a destinação que o depositário do acervo doado pela Cláudia Celeste deu ao material. Quanto às memórias de pessoas trans, dei início, também naquela época, à coleta de depoimentos, a partir de dois eixos: 1) memórias de transformistas (já coletadas as da multiartista Suzy Parker, faltando coletar as das demais integrantes de sua rede. Lamentavelmente não cheguei a colher as memórias da grande Cláudia Celeste); e memórias de antigas trans profissionais do sexo (já coletadas as de Anyky Lima e Sissy Kelly e que podem ser consultadas aqui).

Como já foi dito em outras ocasiões, a ideia primeira deste blog era a constituir um espaço no qual as pessoas pudessem, elas próprias, elaborar os seus depoimentos, resgatando, com isso, a memória das lutas dos movimentos LGBTs.
Essa concepção se aproximava do format…

A despatologização da homossexualidade no Brasil

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Este é o título do meu artigo a sair na coletânea Quando Ousamos Existir, Itinerários fotobiográficos do movimento LGBTI brasileiro (1978-2018), organizada por Alexsandro Rodrigues, Cláudio Nascimento, Marcio Caetano e Treyce Ellen Goular e publicada pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e Copiart, cujo lançamento está previsto para se dar ainda neste ano de 2018. 
Nele faço a remissão dos fatos da campanha vitoriosa protagonizada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) pela abolição da homossexualidade do quadro das patologia no Brasil.
Foi uma luta que durou de setembro de 1981 a seis de março de 1985, quando finalmente o Conselho Federal de Medicina comunica por ofício ao Grupo Gay da Bahia que, em nove de fevereiro do mesmo ano, em Sessão Plenária, fora aprovado o Parecer do Conselheiro Ivan de Araújo Moura Fé, eliminando o Código 302.0 da CID (Classificação Internacional de Doenças), que fixava a homossexualidade como desvio ou transtorno sexual.
Uma das imagens que servem para il…

III Encontro Nacional do GT Estudos de Gênero

Nos dias 20 e 21 de setembro de 2018 tive o prazer de participar do III Encontro Nacional do GT Estudos de Gênero, realizado na cidade do Recife, em Pernambuco.

Ademais da oportunidade de revisitar uma cidade que amo pela sua cultura, calor humano, capacidade de resistência política (ver todas as revoltas que protagonizou), foi uma retomada nas participações em eventos acadêmicos da área de história, o reencontro com colegas pesquisadores.

Participei contribuindo com o trabalho ATIVISMO HOMOSSEXUAL NA BAIXADA FLUMINENSE, EM 1979: A EXPERIÊNCIA DO GAAG DUQUE DE CAXIAS, que foi aceito para o Simpósio Temático ST07 – FEMINISMOS, RELAÇÕES DE GÊNERO, NARRATIVAS E POLÍTICAS PÚBLICAS.

Seu resumo pode ser lido aqui .

O artigo completo tratando da experiência desse grupo percursor poderá ser lido em breve, com lançamento do livro História do movimento LGBT no Brasil, previsto para o próximo dia 22, em São Paulo. Veja a página do evento, aqui.

Popularizando o conhecimento do passado LGBT: Nove anos de exercício

É grande a alegria de constatar o alcance das publicações daqui do blog, através desses números na tabela abaixo. Sei que não não surpreendentes para o meio virtual; há quem consiga facilmente números muito mais incríveis. Mas para as condições pessoais de sua produção, vejo como uma retribuição altamente positiva ao trabalho, ousado (e em certo sentido temerário) que iniciei em 2009, movida pelo compromisso com o registro e a popularização das memórias e histórias da população LGBT. 
A proposta era de uma produção de conteúdo coletiva, contando principalmente com os depoimentos escritos de ativistas (a ideia surgiu e foi divulgada em 2009, no contexto das listas de discussão do yahoo, no caso, principalmente a lista gls). Algo como o Museu da Pessoa, só que no modo escrito e apoiado com imagens dos acervos pessoais de cada ativista-autor-informante. Ela não foi avante e prossegui em modo solo.
Utilizar uma plataforma desqualificada em termos universitários (o blog), e cujo manejo té…

O Caso Chrysóstomo, uma abordagem histórica interdisciplinar

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O que ficou conhecido como Caso Chrysóstomo diz respeito ao processo criminal a que foi submetido o jornalista, co-editor do jornal Lampião da Esquina, produtor teatral, crítico de artes e homossexual assumido Roosevelt Antonio Chrysóstomo de Oliveira, em 1981. Trata-se da acusação de molestar sexualmente a criança de aproximadamente três ou quartro anos de idade, cuja guarda judicial possuía há um ano e sete meses, como procedimento prévio à adoção.


Ele tornou-se emblemático por trazer, em contexto marcado pela crítica aos autoritarismos e segregações, pela ascensão à cena política de atores tradicionalmente relegados ao silenciamento, como mulheres, negros, povos autóctones, prostitutas e homossexuais, os modos de tratamento pelo campo judicial de temas envolvidos por preconceito e desqualificação.


É um caso judicial que despertou e ainda desperta reações apaixonadas, envolvendo censuras e desconfianças, passados mais de trinta anos. 
Me dediquei a examiná-lo em meu doutorament…

EM DEFESA DOS MUSEÓLOGOS

Breves considerações sobre a [des]importância da Museologia no IPHAN
Por
Saulo Moreno Rocha*

Coloco aqui algumas breves notas, escritas rapidamente em resposta à ausência de vagas para museólogos/as no concurso que brevemente será realizado para o nosso principal órgão de defesa, proteção e preservação do patrimônio nacional, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). 
Cabe destacar, de partida, que eu poderia fazer aqui uma longa digressão sobre o surgimento do conceito de patrimônio no Ocidente e suas profundas e viscerais ligações desde então com os museus e a Museologia, mas, creio, não é oportuno, nem interessante, afinal, seriam necessárias muitas laudas para construir uma boa narrativa sobre isso. Uma pesquisa básica em obras de autores de referência sobre a temática poderá suprir adequadamente quem desejar aprofundar nesse quesito. Vou me prender mais especificamente ao caso brasileiro e, claro, a questão em apreço: o apagamento da Museolo…