segunda-feira, 16 de março de 2009

Recuperação em coletivo das memórias das lutas

Oi Míriam
Bem, a idéia não é jornalística ou de necessário confronto com fontes documentais, embora possam vir sob a forma de comentários.Pensei em duas possibilidades, tomando em vista os recursos da ferramenta.

Uma, seria colocar estes agentes como autores no blog. Eles mesmos postariam as suas memórias. A complementação dos fatos narrados poderiam vir através de comentários e também através de postagens de outros agentes/autores.

Uma outra seria - mais trabalhosa, pois requereria um trabalho de pesquisa e sistematização - compilar estes relatos fragmentados e dispersos e, em obtendo a autorização de seus autores, colocá-los no blog, de uma forma sistematizada que poderia ser época/cidade/atividade. A partir desse primeiro trabalho, os autores dessas mensagens memorialistícas poderiam vir ao blog complementá-las.


Por exemplo. Se iniciarmos o tema "PARADAS", pode-se buscar as discussões aqui já havidas e procurar sejam por seus autores complementadas, travando-se - espera-se - uma conversa, algo como uma grande reunião de rememoração, ainda que virtual.
A idéia de "obra aberta" me agrada por vários motivos, embora traga seus próprios problemas. Entre os aspectos que vejo como positivos, é a construção conjunta da memória de algo que igualmente foi fruto de elaboração coletiva.
Embora construída em grupo, cada uma dessas memórias é individual, no sentido de ser o modo de apreensão pessoal daqueles eventos; fruto da subjetividade de cada qual.
É rico ver como cada qual fixa determinados aspectos enquanto outros são apagados. Esse mosaico, mais do que qualquer "produto oficial" é para mim dotado de sua própria importância e beleza, em nada competindo com a historiografia nos moldes acadêmicos.

Por outro lado, tanto esse modelo de construção quanto de disponibilização, ao meu ver, possibilitam uma maior acessibilidade e proximidade do segmento social que é o "proprietário final" dessas memórias - no sentido de ser sua bagagem sóciocultural esse acervo memorialista.

A narativa em primeira pessoa é singular porque faz aportar os sentidos, para o próprio agente, do processo histórico vivenciado e construído. Coisa que é bastante medidada no processo historiográfico e jornalístico.

De novo: não se trata de competir, qualificar ou desqualificar modalidades discursivas. Apenas iniciar um processo de valorização e reunião das memórias desses agentes.

- Uma grande celebração do nós: do sentido de resistência, inventividade, associação, cooperação, comprometimento.Uma semelhante proposta, se vier a contar com a adesão de seus principais personagens para deflagrá-la, será geradora de autoestima, sentido de possibilidade de transformação social, sentimento de pertença, de integração coletiva, fornecendo material para ser trabalhado em oficinas de diversos espaços e sob variados propósitos (além dos acima mencionados).

Além, é claro, de poder ensejar a produção de produtos outros - como vídeos, material didático para formação etc. Nos mesmos termos do Museu da Pessoa, a questão autoral ficaria restrita a usos não comerciais.

Como você(s) vê(em) essas minhas considerações?

Abs,Rita

Um comentário:

R.Colaço disse...

Oi Eduardo,


Eu, como disse, pensei em termos de trabalho coletivo, fora das estruturas
vigentes de projeto financiado, ong, consultoria etc.

Pensei como um grande exercício voluntário, não remunerado, conjunto.

Esse lado penso estamos perdendo. A formatação mental vigente sempre gira em
torno desse padrão - projeto, financiamento, ong. Não estou desqualificando o
modelo em si mesmo, apenas dizendo que está a se tornar o modelo único de ação.
Isso termina por transformar tudo em MERCADORIA, EM BENS, SERVIÇOS mensuráveis
econômica e simbolicamente.

A questão do prazer da construção coletiva, da experiência lúdica do fazer
junto, fica perdida pelo caminho.

Eu não tenho muitos conhecimentos sobre essas ferramentas virtuais. Propus, por
meio do Blog, uma primeira experiência, um modo inicial de exercitar essa
construção coletiva.

Como disse, pensei em termos
de "obra aberta" - um blog com autoria e administração compartilhados.

A Míriam comentou a existência de trabalhos acadêmicos... A questão é que este
tipo de "produto" não é elaborado com a destinação de consumo geral. Teses,
dissertações, artigos acadêmicos, ficam restritos a espaços universitários.

A proposta de recuperação em coletivo dessas memórias, além de ser distinta de
uma proposta historiográfica ou jornalística, trabalha - ou busca trabalhar - a
partir de outras noções, ali mencionadas: valorização do agente histórico, da
possibilidade transformadora, dos diversos mecanismos de resistência e
inventividade, de práticas de proteção recíproca (experiências de solidariedade)
etc.

O que lhe(s) parece(m)?

Abs

Rita