domingo, 26 de abril de 2009

Triângulo Rosa, Herbert Daniel e o MLH

Em 1986 o Triângulo Rosa (eu integrava o grupo na época), por
deliberação de seus membros, decidiu apoiar a candidatura de um de
seus sócios fundadores, Herbert Daniel, a Deputado Estadual pelo Rio
de Janeiro, em razão do comprometimento ostensivo seu e de seu
partido (PT) com as reivindiações do então chamado Movimento de
Liberação Homossexual. Na época Daniel era assessor do Deputado
Estadual Liszt Vieira, então se lançando como Deputado Constituinte.

Jamais vi Daniel em qualquer das reuniões do Grupo, como também
jamais vi nenhum membro ser afastado, seja por qualquer motivo -
assunto que teria forçosamente de ser submetido à deliberação dos
sócios. A inadimplência era tão freqüente no TR como em qualquer
outro, assim como a pouca freqüência às reuniões. Em outubro de 1986
somente 46% estão em dia; 15% com 3 mensalidades atrasadas; 17% com
duas; e 22% com uma. Participei até 1988.

O nº 1 do jornal do Triângulo Rosa (outubro de 1986), antes meros
Boletins Informativos, também por deliberação coletiva, trouxe
matéria declarando publicamente a posição do Grupo em apoiar tal
candidatura, ressaltando o caráter apartidário da Entidade e
conclamando "todos aqueles que, independentemente da sua orientação
sexual, simpatizem com nossas idéias a participarem na campanha e
ajudarem a eleger nosso companheiro Herbert Daniel 13133."

Embora tal apoio fosse uma deliberação da maioria de seus
integrantes, no sentido institucional (o apoio era antes de tudo do
Grupo Triângulo Rosa enquanto entidade representativa de um
segmento), seus membros estavam livres para apoiar quem quisessem.
Foi nesse momento que surgiu o Atobá, fundado por Rodolfo Skarda,
até então integrante do TR. Skarda decidiu empenhar-se em uma outra
campanha e na constituição de uma outra entidade, preservando,
contudo, os laços fraternos com o TR, a quem convidava a participar
das reuniões do Atobá.

O material de campanha do Daniel era, sim, de muitíssimo boa
qualidade, tanto de conteúdo quanto de apresentação (o "designer"
gráfico era o seu companheiro de sempre, Cláudio Mesquita).

O TR não apenas emprestou seu apoio, mas engajou-se mesmo na
campanha, participando de reuniões e fazendo panfletagens e mala-
diretas.

(Mensagem de minha autoria, inicialmente publicada na listagls em Jul 4, 2004 12:47 pm http://br.groups.yahoo.com/group/listagls/message/42131)

============ §§§ ==============

Encontrei umas passagens no livro da Cristina Câmara que acho vai te
ajudar nesse processo de reconstituição da história sobre a
candidatura do Haniel e o apoio do Triângulo Rosa (1986).

Penso que o Lampião não ajudaria devido as diferências cronológicas
(O Lampa encerrou em 81 e a candidatura foi em 86).

O MacRae, imagino que também não, pois a pesquisa dele terminou
justo quando o TR se constitui (1985) e cuida basicamente do
Somos/SP. Embora agradeça a colaboração do TR na realização da
pesquisa (publicada em 1989) e lhe faça uma citação incidental -
sobre aqueles episódios dos registros dos estatutos, vivido pelo GGB
e pelo TR.


C. Câmara também registra a candidatura com o apoio do TR.
Ela também registra que a participação do HD, segundo Cláudio
Mesquita, seria "circunstancial".

Há uma divergência:
Eu, Caio e esse jornal do TR registramos o HD como fundador (Eu:
tenho clareza de que foi nessa qualidade que a candidatura foi
apresentada na reunião e aprovado o seu apoio.) O jornal com a
matéria sobre a candidatura e o apoio foi de elaboração conjunta. –
Desconheço se houve outros jornais em outro contexto cronológico.

Já o J.A. Mascarenhas, no depoimento para a pesquisadora, refuta que
o HD tenha sido sócio fundador.

– Aqui entendo que seria necessário checar os arquivos da Unicamp
para verificar essa ata de constituição (lembro de tê-la visto:
tinha assinaturas de grande quantidade de pessoas - que também
nunca vi. Não tenho registro visual sobre a assinatura específica do
Herbert, como de nenhuma outra; lembro apenas que eram muitas.).


Vou tentar separar os seus argumentos, acho que fica mais fácil.

1. Intensidade da participação do Herbert Daniel no Triângulo
Rosa

Não há 2 versões sobre a participação do Herbert Daniel no Triângulo
Rosa.

O livro da C. Câmara também faz referência sobre isto. Ela realizou
uma "entrevista indireta" com o Cláudio Mesquita e confrontou as
informações com outras fontes.

Ninguém refuta que ele não participava das reuniões.

Sendo "fundador" apenas na qualidade de assinante da ata ou não
sendo "fundador", é inconteste que não participava das reuniões do
TR.

2. Afastamento do HD do TR por inadimplência e apropriação do
jornal do TR para fins de propaganda eleitoral, sem autorização do
Grupo.

Aqui é que é preciso ampliar as pesquisas, pois (de novo) eu, Caio
Benévolo, o livro da C. Lucy (já citado por você) não temos esse
registro. Talvez o Paulo, quem sabe?...

Qualquer novidade, penso que todos gostaremos de conhecer.

Sucesso na pesquisa e
Abraços
Rita.

(mensagem de minha autoria originalmente publicada na listagls, em Sáb Jul 10, 2004 1:28 pm, sob o título "Re: Herbert Daniel 5 (2 argumentos distintos)")

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