domingo, 26 de julho de 2009

ACERVOS

O mês que se encerra trouxe-nos a notícia da disponibilização, na internet, das primeiras edições de Machado de Assis, oriundas da Biblioteca Brasiliana, formada por parte do acervo do bibliófilo José Mindlin, doado por ele e sua família à USP, em 2004.

Uma tal notícia, que aponta para a universalização do acesso ao conhecimento, fez-me lembrar dos fundos que documentam parte importante da história do movimento homossexual brasileiro, depositados na Unicamp – Arquivo Edgar Leuenroth: Grupo Somos/SP, Grupo Outra Coisa, Triângulo Rosa/J.A.S. Mascarenhas, GGB, Turma Ok/Agildo Guimarães.

O Arquivo Edgar Leuenroth ganhou nova sede este ano. As obras tiveram início em 2001. Segundo dados no portal da Unicamp, as novas instalações permitirão ampliar em 30% a capacidade de absorção de novos acervos. Também aumentará o número de atendimento a pesquisadores dos atuais 19 para 50. Não vi, porém, referência a projetos de disponibilização virtual do acervo.

O Fundo Turma Ok, por exemplo, integrante do AEL, é composto por “correspondência e outros documentos que eram enviados aos associados, além de material impresso como panfletos, recortes de jornais e textos de outros grupos homossexuais”. Contém as coleções de publicações dirigidas a algumas redes de relações de homossexuais cariocas, como os boletins Snob (1963-1969), Darling (1968), Gente Gay (1976-1978).

Como andará, a propósito, o acervo digamos mais substancial da Turma OK, o coletivo de homossexuais mais antigo que se tem notícia no Brasil? – A turma, que por mais de 20 anos ocupou o prédio nº 43 da Rua do Resende, mudou-se para imóvel na mesma rua, porém menor (nº 42). Seus “talk shows”, será que são filmados? Haverá (será?) projeto de registro de depoimentos de seus sócios mais antigos, certamente octogenários e septuagenários?

E o acervo do Atobá? Único grupo fluminense oriundo dos anos oitenta, nos telefones divulgados (3332-0787 e 9885-9756), não se consegue comunicação, qualquer que seja o dia ou horário. O primeiro, sempre ocupado e o segundo, na caixa postal.

E o do jornal niteroiense NÓS POR EXEMPLO, que fim terá levado?

Aos 31 anos da emergência do MHB, quem sabe não seria oportuno um olhar mais cuidadoso para com a memória e os acervos históricos não apenas das lutas políticas, mas também da produção cultural e das estratégias de sociabilidade e de gays, lésbicas, travestis brasileiros no país.

Endereços visitados:
http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2009/02/21/nova-sede-do-ael-ampliara-capacidade-de-atendimento-ao-publico-e-do-acervo

http://www.turmaok.com.br/sede.htm

http://www.brasiliana.usp.br/

Nenhum comentário: