terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Conheça um pouco sobre a vida de Janaína Dutra"


Depoimento de Daletty di Polly sobre Janaína Dutra, uma das mais destacadas lideranças Trans do Brasil, postado na comunidade do orkut, aberta em sua homenagem. Está sendo transcrito aqui com a devida autorização de sua autora, Daletty.
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=16895659

"Janaína nasceu na cidade de Canidé, interior do Ceará, no dia 30 de Novembro de 1960, foi registrada com o nome de Jaime César Dutra Sampaio, tornou-se Dr. Jaime ao se formar em Direito, na UNIFOR, em 1986.

A tendência a travestilhidade, porém, foi mais forte do que as convenções sociais. Dr. Jaime decidiu suavizar as formas e passou a utilizar hormônios femininos, se assumindo travesti, passando a viver como Janaína Dutra. Foi a primeira, talvez a única vez em toda história do Brasil, que uma travesti conseguiu sua carteira de filiação junto à OAB.

Na medida que foi se transformando, se assumindo como travesti, Janaína foi se especializando em casos na área de Direitos humanos, voltado para a causa homossexual. Em 1989, começou a atuar no movimento de cidadania homossexual, tornou-se militante dos Direitos Humanos dos homossexuais, filiando-se ao Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), onde galgou diversos postos até chegar à vice-presidência.

Fundou a ATRAC – Associação de Travestis do Ceará, exerceu o cargo de Secretária de Direitos Humanos (suplente) da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros. Foi também presidente da ANTRA – Articulação Nacional de Transgêneros, e membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação.

Janaína era doce como mel e forte como uma rocha, como um bom velho comunista era feita de ferro e de flor. Dura nas suas convicções, no seu ativismo e em sua trajetória política, leve como as flores com sua diversidade de cores e cheiros, seus poemas cultuados e sua maneira doce de ser e viver. Janaína era uma dama – “Dama de espadas” – com muita elegância, ética, dignidade e transparência. Janaína sempre lutou por justiça social, pelos Direitos Humanos, a liberdade e a felicidade, e sempre procurou passar adiante seus ensinamentos, incentivando muitas trans a nunca baixarem a cabeça, e, a lutarem contra o mito das aparências, dos rótulos, das más impressões.

Sinto-me privilegiada por ter sido “uma de suas pupilas”, por ter tido oportunidade de ter estado ao seu lado não só nos momentos de alegria, mas nos momentos de dor. A dor de sua partida. Janaína deixou muitas saudades em nossos corações, mas também deixou um legado de boas obras. O exemplo de luta de Janaína estará permanente em nossa memória. Janaína será sempre lembrada com muito orgulho como “a primeira travesti advogada do Brasil”. JANAÍNA DUTRA imortalizada em nossos corações; Nosso amor por você definitivamente não termina aqui... "

Um comentário:

Rita Colaço Brasil disse...

É com muita alegria e expectativa que aguardamos o lançamento do filme documentário de Vagner de Almeida em memória de Janaína Dutra (JANAÍNA DUTRA, UMA DAMA DE FERRO), ora em fase de elaboração.