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Mostrando postagens de Março, 2010

"FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DELAS" - DELAS E DELES, DE TODOS

Em 26 de janeiro passado publiquei aqui uma postagem com o título A Questão Central da Memória.

Transcrevia trecho do editorial da revista Carta Capital, escrito por Mino Carta, edição de 20 de janeiro deste ano de 2010 onde defendia o direito à memória histórica do período ainda nebuloso e sempre escondido, da ditadura militar implantada em 1964.

Ao final da transcrição, recordava que a memória histórica é prioritária para todos os segmentos sociais, inclusive o composto por homossexuais, transexuais, travestis, intersexuais.

Também pode ser lido aqui, em postagem do dia 21 de março corrente, uma pequena biografia de Herbert Daniel, importante combatente pela solidariedade como resposta social ao obscurantismo e contra o preconceito (fosse aquele que vitimava - e ainda vitima - portadores do vírus HIV, fosse o que também ainda hoje atinge gays, lésbicas, travestis, transexuais, intersexuais). Ele foi um dos que lutaram contra o regime de exceção instaurado aqui pelos militares, com o a…

SEQUÊNCIA DE APARIÇÃO DOS GRUPOS HOMOSSEXUAIS NO RIO DE JANEIRO ATÉ ANOS 1980

Ainda constata-se o desconhecimento de muitos, inclusive e sobretudo de aguerridos ativistas da atualidade, sobre os primórdios da história do Movimento Homossexual Brasileiro, hoje denominado movimento LGBT.

Ontem verifiquei mais um dos incontáveis equívocos: - Dizia-se ser o Atobá, de Magalhães Bastos, o primeiro grupo surgido no Rio de Janeiro.

Não é verdade.


Os primeiros grupos, surgidos entre 1979 e a década de 1980, em defesa do direito à livre orientação sexual (o que equivale dizer direito a NÃO ser estigmatizado, alvo de violência cotidiana, multiforme e da parte de pluriagentes em razão da orientação e/ou identidade de gênero), foram:

O GAAG (Grupo de Atuação e Afirmação Gay), de Duque de Caxias, fundado em Julho de 1979 FOI O PRIMEIRO GRUPO A EXISTIR NO RIO DE JANEIRO. Compunha-se majoritariamente por LÉSBICAS (havia um ou dois gays) e negras. Naquela época, porém, ninguém dentre seus integrantes se dava conta disso, porque não eram questões que estivesem colocadas para aquel…

VII EBGL, 1995: OPINIÕES SE DIVIDEM

Nós humanos somos movidos à emoção. Nos dizemos de nós seres racionais. No entanto, melhor seria dizer-nos seres racionalizantes - aqueles que buscam uma explicação ou justificativa com a aparência de produto do raciocínio para encobrir suas projeções, autoenganos etc.

Nosso aparelho psíquico nos prega peças as mais vexatórias. Não raro cometemos aquilo que em Direito se chama Erro de Representação. Significa tomar um acontecimento como se outro fosse, emprestar-lhe um significado distindo daquele que tem. As razões e os tipos são vários. Um deles fala de Projeção e é abordado pela Psicologia/Psicanálise.

Como o próprio nome deixa entrever, consiste em atribuir ao outro algo que, na realidade, é inerente ao próprio sujeito. Por não conseguir admitir, suportar, conviver com determinados aspectos de sua personalidade, defensivamente os atribui ao outro. É um processo inconsciente.
"Termo utilizado por Sigmund Freud a partir de 1895, essencialmente para definir o mecanismo da paranó…

PAULO FATAL: poeta, ex-presidente do Grupo Triângulo Rosa/RJ

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Paulo Silva de Oliveira, nome artístico: Paulo Fatal

Nascido em 1947, no Rio de Janeiro, RJ, é Psiquiatra, poeta, escritor. Fundador do Movimento Verso Vício, é integrante da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e autor dos livros: INVICTA - AIDS AQUI: Toques, Becos e Saídas (1988, Gapa), Caderno de poesia Oficina 8 (antologia, 1987),Caderno de poesia Oficina 9 (antologia, 1988), A Fada de Paracambi (contos, 1985, ed. do autor), Verso Vício (Antologia, 1985, ed. autores), Verso Vício (Antologia, 1983, Trote), Doze Poetas Alternativos (antologia, 1981, Trote) e Vapor de Mercúrio (poesia, 1979, Arquimedes).


Integrou o Grupo Triângulo Rosa do Rio de Janeiro, ocupando os cargos de Presidente e Secretário.

Um dos primeiros a se posicionar pelo enfrentamento à pandemia da Sida/Aids, conciliava sua atuação no Triângulo Rosa (mais ligada a superação da estigmatização aos homossexuais) e nos setores de ação contra a Aids.

(Nas fotos ao lado, juntamente com Fernando Gabeira, Herbert Daniel…

Carta de Herbert Daniel Censurada no Congresso Pela Anistia de 1979: Era "Apenas Uma Bicha"

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Herbert Daniel nasceu em 14 de dezembro de 1946 e foi registrado como Herbert Eustáquio de Carvalho. Adotou, na resistência à Ditadura militar implantada no Brasil em 1964, o codinome Daniel. Terminou ficando conhecido mesmo como Herbert Daniel. Permaneceu por cerca de seis anos na clandestinidade. Esteve exilado em Portugal e na França.

Não foi beneficiado pela Anistia. Somente pode retornar ao Brasil quando da prescrição de sua pena, o que se deu em 1981 - ver abaixo.

Por conta da negativa do Consulado Brasileiro em Paris em lhe fornecer o Passaporte é que Daniel escreve a carta publicada no jornal Lampião da Esquina e transcrita aqui, ao final.

Homossexual, teve também que enfrentar o preconceito de seus próprios camaradas. Isso ele conta no seu livro Meu Corpo Daria um Romance, aqui publicado pela Editora Rocco, em 1984.

Foi um dos que assinou a Ata da Assembléia de fundação do Grupo Triângulo Rosa, criado por iniciativa de João Antônio de Souza Mascarenhas, no Rio de Janeiro, em 1985…

DARCY PENTEADO RODA A BAIANA E RESPONDE À FAMÍLIA MESQUITA:

Carta de Darcy Penteado dirigida à Família Mesquita, proprietária do Jornal O Estado de São Paulo e publicada no jornal alternativo EM TEMPO de 17 a 30 de abril de 1980, pág. 19, nº 104, ano 3:

"Darcy Penteado roda a baiana e responde à família Mesquita:



'Cerca de cinco mil travestis se espalham hoje em regiões ricas ou pobres, dominando a noite e as callçadas. Os moradores não suportam mais a situação e a impotência da Polícia. Mas a Justiça lhes dá cobertura e a Polícia não os prende porque no Código Penal, não há como enquadrá-los'.Assim, o mais influente diário brasileiro, O Estado de São Paulo, dava início a uma série de reportagens, investindo contra os travestis que batem calçada na capital paulista. A família Mesquita, proprietária do jornal e guardiã da moral das classes dominantes há pelos menos um século (sic), dava sua contribuuição para avolumar ainda mais a perseguição ao homossexualismo (sic) no país.

O Pintor e escritor Darcy Penteado, militantes (sic) do nov…

"O TRAVESTI, ESTE DESCONHECIDO", por DARCY PENTEADO

Este é o artigo a que Darcy Penteado se referia no artigo de abril de 1980, postado neste blog:

"A função cria o órgão, ou na natureza nada se cria e nada se destrói, tudo se transforma"

"Lembro-me destes sábios, porém óbvios conceitos aprendidos no colégio para exemplificar o surgimento, resultante de uma simbiose, de um novo ser da categoria humana: o travesti.

Quem é ou o que é, afinal, o travesti?

"Travesti, s.m. (gal.) disfarce no trajar; (por extensão) disfarce." Pequeno Dicionário Bras. da Língua Portuguesa.

Um outro conceito remoto e bastante amplo de interpretação, determina como travestido todo indivíduo que adote um traje e um comportamento com os quaiis se faz passar por uma determinada personagem assumida. Assim, não só é travestido aquele que adota trajes do sexo oposto como também, por exemplo, aquele que se vista de rei, lobo, general, etc. sem sê-lo. Isto no entanto bem pouco ou nada tem a ver com o sentido específico que adquiriram a palavra e…

"O PAPEL DO TRAVESTI NA EMANCIPAÇÃO FEMININA", por DARCY PENTEADO

Abaixo, o texto de Darcy Penteado publicado em abril de 1980.
Ao final, confira a relação dos nomes daqueles que ajudaram a fazer o jornal Lampião da Esquina - Conselho Editorial, Colaboradores e Correspondentes.


"A conscientização e conseqüente reivindicação dos direitos da mulher está aos poucos, mesmo se lentamente, modificando a estrutura patriarcal que vigorou até agora e que sempre deu ao macho a preponderância no sistema social, coisa essa já muito sabbida e muito falada. Mas isto nos permite entre outras coisas, prever paara o futuro (sabe-se lá quando?), uma formação socio-familiar (ou algo que venha a corresponder a ela), dividida em duas facções: uma, que se poderá considerar como integrante de uma sociedade ideal, em que o ser humano, não importando o sexo civil mas a sua preferência sexual, enconntrará a sua forma de viver coletivamente, na ligação com o outro (ou outros), para juntos desfrutarem os prazeres dos próprios corpos, liberados dos interesses de procriação e…