segunda-feira, 22 de março de 2010

PAULO FATAL: poeta, ex-presidente do Grupo Triângulo Rosa/RJ


Paulo Silva de Oliveira, nome artístico: Paulo Fatal

Nascido em 1947, no Rio de Janeiro, RJ, é Psiquiatra, poeta, escritor. Fundador do Movimento Verso Vício, é integrante da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e autor dos livros: INVICTA - AIDS AQUI: Toques, Becos e Saídas (1988, Gapa), Caderno de poesia Oficina 8 (antologia, 1987),Caderno de poesia Oficina 9 (antologia, 1988), A Fada de Paracambi (contos, 1985, ed. do autor), Verso Vício (Antologia, 1985, ed. autores), Verso Vício (Antologia, 1983, Trote), Doze Poetas Alternativos (antologia, 1981, Trote) e Vapor de Mercúrio (poesia, 1979, Arquimedes).


Integrou o Grupo Triângulo Rosa do Rio de Janeiro, ocupando os cargos de Presidente e Secretário.

Um dos primeiros a se posicionar pelo enfrentamento à pandemia da Sida/Aids, conciliava sua atuação no Triângulo Rosa (mais ligada a superação da estigmatização aos homossexuais) e nos setores de ação contra a Aids.

(Nas fotos ao lado, juntamente com Fernando Gabeira, Herbert Daniel, Carlos Minc e Alfredo Sirkis, em manifestação na Cinelândia/RJ, contra o preconceito decorrente da pandemia da Sida/Aids).

"Por motivos óbvios e obscuros, como o fato de eu ser médico psiquiatra, fui indicado pelo pessoal do Triângulo Rosa como representante do grupo numa tentativa de aproximação com comissões oficiais, e para coordenar dentro do próprio grupo discussões sobre o polêmico tema da Aids. [...] Acabei sento aceito como representante do Rosa na Comissão Interinstitucional de Combate e Controle da Aids no Estado do rio de Janeiro, criada pela Secretaria Estadual de aúde em meados de 1985 (Secretário Dr. Eduardo Costa; Presidente da Comissão, Dr. Cláudio Amaral - posteriormente substituído pelo Dr. Álvaro Matida). Como os outros membros da Comissão, minha participação era (é) voluntária, não recebendo remuneração, nem mordomias. [...] Não trabalho como médico que trata de Pessoas com Aids. Procuro atuar no campo da prevenção da Síndrome. [...] Na Comissão, aliás antes de haver a Comissão, quando o Dr. Cláudio Amaral aceitou minha participação na campanha anti-aids, realizamos debates noo Departamento de Doenças Transmissíveis, dirigido por ele [...] Foi proveitoso. O Rosa mobilizava as Pessoas. O Cláudio dividia a coordenação do debate comigo ou com alguém do Triângulo. Na época a idéia de que a Aids só atacava Homossexuais era ainda mais arraigada do que agora [1988]" [...] Com o Cláudio, e a partir de indicações do Cláudio participei de vários debates e dei várias declarações a jornalistas. Depois entrou para o Departamento o Dr. Álvaro Matida, que seguiu na mesma linha, aceitando a colaboração do Triângulo Rosa, e também, quando se criou em 1986, do grupo Atobá, e depois do GAPA-RJ (Grupo de Apoio à Prevenção à Aids), criado em 1987. (Invicta Aids Aqui, 1988, p. 12-15)

"Aproveito agora para esclarecer certas divergências que andei tendo com Pessoas do Triângulo Rosa. Coisas da democracia. É que há ativistas que se irritam muito mais do que eu com essa coisa de a imprensa divulgar opiniões e atos do Rosa em relação à Aids, e não ter interesse algum em divulgar outras atividades do grupo. Que se pode fazer? Combater preconceitos, assim meio em tese, parece mesmo menos Assunto do que ajudar a combater (ou negar-se a ajudar a combater...) uma doença Nova e Terrível e Mortal. Acho que se o Triângulo Rosa resolvesse que Aids deve interessar a todos e parecesse desinteressado, seria contraditório e um erro político. Eu acho. Esperar que a ACM [Associação Cristã de Moços], a FAMERJ [Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro], os sindicatos, as Escolas de Samba etc. etc. passem a participar de luta anti-Aids para só então o Rosa resolver também se mobilizar.. . Não sei. Denunciar que há preconceito, derrubar ou criar certos artigos de códigos de doença ou ética é para mim necessário, sempre, mas isso tem sido lamentavelmente de pouco interesse para jornalistas, autoridades e para as próprias tribos Homos." (Invicta Aids Aqui, 1988, p. 33)


É membro da Turma Ok (foto acima, ao lado de Paulo Mello).


Referências:
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/Consulta/Autor_nav.php?autor=1325
http://www.joaodorio.com/Arquivo/2004/10,11/modernismo.htm
http://www.turmaok.com.br/paulomellopaulofathal.jpg
http://picasaweb.google.com.br/site.hebertdaniel
Invicta Aids Aqui - Toques, Becos e Saídas. Ed.: Gapa-RJ, 1988.

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