sábado, 8 de outubro de 2011

As Filhas da Chiquita: manifestação da cultura gay remonta à Ditadura

 "Diferentemente da época da Ditadura, hoje a Festa das Filhas da Chiquita tem hora pra acabar: as três da madrugada a Polícia vem e manda todo mundo dispersar."

A Festa As Filhas da Chiquita é parte expressiva da cultura Gay nacional. É realizada ao ar livre, no segundo sábado de outubro, desde a década de 1970, durante os festejos do Círio de Nazaré, em Belém, Pará.

tradição e polêmica se renovam

A Festa da Chiquita nunca se importou de chamar a atenção. Evento símbolo do orgulho gay em Belém desde a década de 1970, o evento levava às ruas intelectuais, boêmios e homossexuais, em celebração ao lado profano do Círio. Homens travestidos e a entrega do prêmio “Veado de Ouro” ao homossexual mais atuante da cidade davam o tom da festa que crescia a revelia do maior evento católico do país. Atualmente, a Chiquita se firma como um mega-espetáculo que atrai anualmente cerca de 40 mil pessoas, de acordo com os organizadores. Acabou entrando para história como uma das mais irreverentes celebrações do calendário religioso brasileiro. Em 2004, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu a Festa da Chiquita no processo de tombamento do Círio como patrimônio imaterial da humanidade. [Continue lendo aqui]



Sagrado e Profano se encontram

“No segundo domingo de outubro, a bicentenária procissão do Círio de Nazaré é obrigada a conviver com a Festa da Chiquita, o mais tradicional encontro gay da Amazônia que, contra tudo e contra todos, tem lugar no mesmo dia, à mesma hora e na mesma rua”. Esta é a sinopse do filme “As Filhas da Chiquita”, que Priscilla Brasil lançou em 2008 e que conta a impressionante – e purpurinada - história de resistência do evento mais ousado e festivo da quinzena do Círio, que deve receber um público de 700 mil pessoas hoje.

Afinal, é ou não é ousadia demais começar um grande festejo pela diversidade sexual, com direito a concursos, desfiles, muita música e bebida, assim que Nossa Senhora de Nazaré passa? É no momento em que a procissão da Trasladação acaba, por volta das 22h, que as luzes se acendem no palco montado em frente ao Bar do Parque e a Festa da Chiquita inicia. E ela só termina cedo por que amanhã de manhã tem a procissão principal. Se não fosse isso, nunca terminaria, tamanha a empolgação do público, dos artistas e organizadores.
Um show contra a homofobia

“Respeitamos muito ela. A fé é para todos, na hora da festa estão todos na farra, mas no outro dia estão todos rezando. O que queremos com a Chiquita é que temas como a luta contra a homofobia sejam absorvidos pela sociedade. Seremos o primeiro estado a aprovar a lei que criminaliza essa prática”, explicou Eloi Iglesias, artista que é figura simbólica da cultura paraense e encabeça o evento, que em 2011 tem como tema “Além do Arco Íris – Um Show Contra a Homofobia”. O artista citou o projeto 25/2010, da deputada estadual Bernadete Ten Caten (PT), que já foi aprovado pela Assembleia Legislativa e aguarda agora a sanção do governador Simão Jatene. [Continue lendo aqui].
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