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Mostrando postagens de Junho, 2012

Magistrados Evangélicos se organizam

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Hoje pela manhã no  programa evangélico Reencontro, ligado à Igreja Batista de Niteroi e exibido pela TV Brasil todos os domingos, foi noticiada a realização do III Congresso da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos. O II foi realizado em novembro do ano passado, em Piratininga, Niteroi, RJ.
Segundo declarou no programa o desembargador aposentado e hoje advogado criminal Eduardo Mayr, os magistrados que professam essa crença não se conhecem e sentem a necessidade de se organizar para tomar posição conjunta a respeito de certos temas, entre eles o do "casamento homoafetivo". 
Segundo Mayr, não chega a 10% o número de juizes que partilham desse credo. Organizando-se, podem se conhecer, discutir e tomar decisões em conjunto e "dar testemunho".
Eduardo Mayr foi o juiz que, em 1982, durante as férias do titular, recebeu para sentença os autos do processo criminal em que figurava como réu Roosevelt Antônio Chrysóstomo de Oliveira, jornalista respeitado que ocup…

O velho ou isto ou aquilo ou A Quem interessa polarizar a agenda LGBT?

O ativista Dario Neto em seu artigo O Movimento LGBT e o Casamento Civil Igualitário utiliza-se de um texto de Hannah Arendt para justificar o seu entendimento pessoal de que a pauta dos movimentos LGBTs deva ficar adstrita à conquista do casamento igualitário. 
Eis o texto que o autor seleciona e emprega a modo de epígrafe:   “O direito de casar com quem quiser é um direito humano elementar comparado ao qual ‘o direito de frequentar uma escola integrada, o direito de sentar onde lhe apraz num ônibus, o direito de entrar em qualquer hotel, área de recreação ou lugar de diversão, independentemente da pele, cor ou raça’ são realmente secundários. Mesmo os direitos políticos, como o direito de votar, e quase todos os outros direitos enumerados na Constituição, são secundários em relação aos direitos humanos inalienáveis ‘à vida, à liberdade e à busca da felicidade’ proclamados na declaração da Independência; e a essa categoria pertence inquestionavelmente o direito ao lar e …

Devolvam-nos a nossa História

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"- É bom saber que o pai do samba era homossexual e que o pai do Modernismo também era."*
Esta frase é de Paulo Lins, autor de "Desde que o samba é samba", recém lançado pela editora Planeta; o mesmo autor de Cidade de Deus, que percorreu estrondoso sucesso, chegando a ser transformado em filme.
A frase de Paulo se refere a Ismael Silva, fluminense de Jurujuba, Niteroi, RJ, onde nasceu em 14 de setembro de 1905 e com três anos de vida foi com sua mãe, viúva, morar no Estácio. Compositor, instrumentista e cantor, Ismael foi, juntamente com outros músicos, um dos fundadores do samba carioca e das escolas de samba - através da Deixa Falar, cujo primeiro desfile se deu em 1929.  É autor de cerca de cem composições, muitas das quais dadas em "parceria" em troca de gravação - fato comum na época e que, com Ismael, de seu através de Francisco Alves. As mais conhecidas são Se Você Jurar, Antonico, Tristezas Não Pagam Dívidas. 
Ismael vestia-se com esmero e…

Leci Brandão: Essa Tal Criatura

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Em 2004 eu escrevi em uma nota, na monografia Ação e reflexão de um ativismo homossexual na Baixada Fluminense, apresentada ao curso de bacharelado em História Social, na UFF:

“Leci Brandão foi o primeiro artista da Música Popular Brasileira a ousar falar com naturalidade a respeito de sua homoafetividade. Em entrevista ao Jornal Lampião da Esquina, nº 6, de novembro de 1978, págs. 10-11, perguntada sobre se “Seu relacionamento com o homossexual, entendido, povo guei, como se queira chamar, é platônico ou participante”, responde: “Platônico e participante”. “Em que sentido”, perguntam novamente. – Leci:

“Quer ver? Por exemplo, o fato de eu ser homosssexual é uma coisa que não me incomoda, não me apavora, porque eu não devo nada a ninguém (…) A gente já é marginalizado, de cara, pela sociedade. Então a gente se une, se junta, dá às mãos. E um ama o outro, sem medo nem preconceito. É um negócio maravilhoso, que eu estou sentindo de cabeça, realmente. É o mais produtivo merg…

A trilogia homossexual de Agnaldo Timóteo

O texto a seguir é originário da postagem desta data, com o título A trilogia homossexual de Agnaldo Timóteo  "Uma série de outras canções relatando vivências, afetos e angústias do universo dos homossexuais e das prostitutas serve também para ilustrar até que ponto o repertório da música popular "cafona" transgride ou apenas endossa o rígido controle da moral dominante no período do regime militar. E como exemplo, cito a balada “A galeria do amor”, composição de Agnaldo Timóteo que faz referência à Galeria Alaska, tradicional ponto de encontro de homossexuais no Rio de Janeiro.
Formando uma travessia de menos de 100 metros entre as avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana, no Posto 6, Zona Sul carioca, a Galeria Alaska tornou-se famosa a partir dos anos 60, quando chegou a ser classificada como o “maior reduto de gays do país”.  Na década seguinte sua fama de "boca maldita" foi se acentuando e o local passou a atrair também prostitutas, piv…