segunda-feira, 28 de maio de 2018

Maravilhosos são vocês que estão mudando o mundo

Fotógrafo Alexander Mendes
Edith Colaço, 90 anos de idade (2012),
 no carro de som da CEDS-Rio.
Parada do Orgulho LGBT 
de Copacabana, RJ, em 2012.
"A CEDS presta homenagem a Edith Colaço, uma inspiração na luta por um #RioSemPreconceito: "Maravilhosos são vocês que estão mudando o mundo" 17:22 - 26 de set de 2016"

https://twitter.com/hashtag/riosempreconceito CEDS Rio @CEDSRIO


https://twitter.com/CEDSRIO/status/780502859033051138/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Ftwitter.com%2Fhashtag%2Friosempreconceito

Dada a fragilidade na permanência dos registros no mundo virtual, decidi trazer para cá o que encontrei dessa participação histórica, independentemente do meu vínculo pessoal com a protagonista, na medida em que a sua participação foi espontânea, em todas as vezes que compareceu.

A atual gestão à frente da CEDS-Rio resolveu eliminar a página da Coordenadoria (http://cedsrio.com.br/site/noticias/2012-12/edith-colaco-mae-coragem-e-orgulho-aos-90-anos), apagando, assim, dados históricos que tem o dever constitucional de preservar. 

Reportagem da jornalista Sara Paixão,
jornal Extra, de 19/11/12, página 7, caderno Cidade
A única matéria sobre a Parada de 2012, no Rio de Janeiro, que fez uma abordagem para além do folclórico, do risível, do bizarro. O Foco foi o apoio das famílias à luta dos LGBTs por isonomia e dignidade. A autoria é da jornalista Sara Paixão.
CAPA da edição de 19/11/12, segunda-feira, do Jornal Extra.
O único a dar destaque para o aspecto político, para o apoio das mães pela igualdade.



  
O cabeleleiro Rodrigo Careta, 
o "anjo" do carro da CEDS-Rio, na Parada de 2012.

Na tenda da CEDS-Rio, com Daniela Murta.
Comentário publicado no FacebookMary Sad Guarani Kaiowá Vc sabe que eu fui falar para ela que ela era maravilhosa... Ela sorriu e me respondeu: maravilhosos sao vcs que estao mudando o mundo. Marejei Coisa mais linda! Deve ser bom chegar nessa idade com a certeza que entendeu tudo, neh? 






Mamãe todas as vezes participou espontaneamente das Paradas. A primeira, em 2004, me pegou de surpresa. Cheguei a dizer-lhe que não precisava "me agradar". Ela respondeu que queria conhecer.

Participou duas vezes à pé, a primeira em 2004; duas vezes no alto do carro de som da CEDS-Rio (a primeira em 2012); duas vezes na tenda da CEDS-Rio.

- Essa a minha memória. Como não cuidei de registrar, está sujeita a falhas. As primeiras (2004 e 2012), porém, há como estabelecer.




<blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="pt" dir="ltr">A CEDS presta homenagem a Edith Colaço, uma inspiração na luta por um <a href="https://twitter.com/hashtag/RioSemPreconceito?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#RioSemPreconceito</a>: &quot;Maravilhosos são vocês que estão mudando o mundo&quot; <a href="https://t.co/GZ7dvs5SHz">pic.twitter.com/GZ7dvs5SHz</a></p>&mdash; CEDS Rio (@CEDSRIO) <a href="https://twitter.com/CEDSRIO/status/780502859033051138?ref_src=twsrc%5Etfw">26 de setembro de 2016</a></blockquote>
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sábado, 26 de maio de 2018

A destruição de documentos como objetivo estratégico e indicador de desempenho: o caso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

Em várias postagens nesse blog é possível acessar minhas preocupações com a gestão de acervos e fontes (documentais e orais) em nosso país, notadamente quando digam relação às homossexualidades, aos LGBTIQ.

No dia dois de maio corrente (2018) foi publicado o número da revista Acervo, do Arquivo Nacional, cujo dossiê trata de diversidade. Nele contém um artigo de minha autoria onde retomo minhas reflexões sobre a temática.

Tem por título A destruição de documentos como objetivo estratégico e indicador de desempenho: o caso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.E pode ser acessado aqui e aqui.


(http://revistaacervo.an.gov.br/index.php/revistaacervo/issue/view/54)
(http://revistaacervo.an.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/893/908)

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Morre Cláudia Celeste, atriz transformista precursora

Faleceu ontem, de pneumonia, a atriz e cantora Cláudia Celeste, de 66 anos de idade. 
Cláudia não era "apenas" uma artista estupenda e completa, capaz de sempre aprender novas tecnologias; era também um ser humano fantástico, generoso, dotado de incrível delicadeza e lealdade. 
A conheci em um dos eventos por ocasião do Dia da Visibilidade Trans, promovido pela Coordenadoria Especial da Diversidade, da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, gestão Carlos Tufvesson. Ela me procurou porque desejava publicar um livro que resgatasse a trajetória das artistas transformistas. Na ocasião, disse-lhe, era-me impossível, pois encontrava-me em fase final do curso de doutorado, elaborando a escrita da tese. Tempos depois nos reencontramos e retomamos o projeto. Ela possuía profundo senso da necessidade de se preservar essas memórias. Conversamos diversas vezes, por telefone e pessoalmente. Ela me passou o material que já havia elaborado, chegamos a construir uma agenda de trabalho, mas a coisa não avançou. 
Lamento profundamente a partida tão precoce de uma artista ainda em plena força produtiva. Em cinco de março último ela anunciava, no seu canal do YouTube, o lançamento para breve de um CD onde interpretava sucessos, intitulado Bossa Nova ao Vivo, Cláudia Celeste.
Viveu uma vida de coragem, ousadia, determinação, com talento, brilho, respeito, tato, delicadeza com o outro e dignidade. Ficam os afetos construídos e a memória de sua bela e digna trajetória.
Em 2016 foi publicado o artigo "Artes de Acontecer: viados e travestis na cidade do Rio de Janeiro, do século XIX a 1980", onde registro um pouco de sua trajetória, juntamente com a de outras precursoras. 
Seu enterro foi hoje, no cemitério de Irajá, bairro de seu nascimento e moradia.






Dela disse o pesquisador Diego Nunes, no seu perfil numa rede social:
Em 2015 publiquei meu segundo livro, chamado "Cá e Lá, o Intercâmbio Cinematográfico entre o Brasil e Portugal", e uma grata surpresa que tive foi o carinho da comunidade LGBT por ter incluído uma pequena bio da travesti Ivaná, uma pioneira do Teatro de Revista Brasileiro. Este livro me proporcionou várias recompensas que vão além do material (que aliás, isto eu realmente não tive). Recebi uma carta carinhosa de Rogéria agradecendo por lembrar daquela que abriu a porta para as novas gerações. Também recebi mensagens carinhosas de Claudia Celeste, que em plena ditadura militar, atuou na novela Espelho Mágico (1977) . Nunca aconheci pessoalmente, mas fiquei muito comovido com suas palavras. Através de seu Facebook soube hoje do seu passamento. A Claudia Celeste, minha homenagem. Sua missão foi cumprida!


Ela deixa bastante material em seu canal no YouTube
O jornal o Globo noticiou a perda. https://oglobo.globo.com/cultura/primeira-travesti-atuar-em-uma-novela-brasileira-morre-aos-66-anos-22680740

As recordistas de público